No dia seguinte, tensão e festa deram lugar à calmaria
FOTO DEIVYSON TEIXEIRA
Após uma noite eufórica de comemoração, Barbalha, município do Cariri cearense, no Sul do Ceará, amanheceu calma de novo. Sem carros de som tocando jingles de campanha, sem santinhos e adesivos em cada esquina. As lojas abriram, as pessoas trabalharam e, enfim, a vida continuou como nas segundas-feiras anteriores.
Até mesmo a Praça Kennedy, que na tarde anterior recebia um grupo considerável de militares da Polícia e do Exército para separar grupos adversários, amanheceu deserta e prosaica. Mas, a partir de 1º de janeiro, Barbalha não será apenas a terra de Santo Antônio. Será a terra do governador Camilo Santana (PT).
“Ele vai ser um grande governador”, declara Joaquim Ermíno dos Santos, aposentado e morador do município. Dos Santos afirma que já acompanhava a carreira do petista anteriormente, tendo inclusive votado nele para prefeito do município, onde Camilo acabou derrotado.
“Ele era muito novo, não tinha experiência”, relembra. A expectativa do aposentado é que o governo do conterrâneo olhe para segurança pública. Segundo o morador, “tem muito vagabundo aí. Tá uma droga danada”.
A prioridade do estudante universitário e sushiman Elvis Estilak Lima, no entanto, é outra. A expectativa dele é de que o novo governador tenha um diálogo maior com os setores da educação.
“No curto prazo, medidas paliativas podem até mostrar alguma coisa mais rápida. Mas se a gente não começar pela educação, acho que o futuro não vai ser tão bom”, declara o estudante de Biologia. Perguntado se um governador do Cariri significa algo a mais para ele, como morador da região, Estilak é taxativo. “Engrandece”.
No distrito de Caldas, onde Camilo vota e tem residência, as ruas ainda estão cobertas de propagandas e mensagens de apoio para o novo governador, salpicada por publicidade do adversário derrotado Eunício Oliveira (PMDB).
Moradores contam que lá, todos conhecem Camilo e, segundo os próprios, todos gostam dele. “Ele vinha aqui, jogava bola com o pessoal. Eu acho que ele conhece quase todas as pessoas daqui pelo nome”, afirma João Bosco Sá Cavalcante, gerente do balneário local.
Como gerente de um balneário, a expectativa é de que Camilo invista em sua terra natal também como um destino turístico.”Cansei de comentar isso com ele (Camilo). O Bismarck (Maia, secretário estadual de Turismo) não olhava o Cariri como ele olhava a zona litorânea”, declara Bosco, referindo-se ao titular da Setur, que tem base eleitoral na região de Aracati, no litoral Leste do Ceará.
Mas, para além da expectativa sobre o governador eleito, o barbalhense tem esperança. “Ele é um rapaz muito trabalhador”, comenta Bosco.